quarta-feira, 29 de junho de 2011

Parte III - Amores


E veio a luta. A luta diária. No endless fight. Houve brigas. E muitas. Faltou dinheiro. Faltou tempo para um sentir o outro. Se o começo foi fácil? Não. Aliás, foi a pior parte. Ela teve que se acostumar a lavar louça, lavar roupa, limpar casa - isso tudo depois de passar o dia em uma loja, e de noite ir para a escola. Ela reclamou. Ele apenas deu de ombros, falando que não podia fazer nada para mudar isso, mas que ia tentar. A partir de um momento, as coisas se ajustaram. Ela se acostumou, ele também. Eles passaram a almoçar juntos no restaurante do escritório que ele trabalhava. No fim do expediente, ele passava no trabalho dela, e a acompanhava até em casa, e ia buscá-la depois da aula. Ficou nessa rotina até o fim do ano. Ela passou no vestibular, conseguiu entrar na faculdade pública. Ele também. Os dois amadureceram. Ela amadureceu mais ainda, os dezoito anos eram só idade física, a idade psicológica era de vinte e seis, assim como ele. A situação financeira foi melhorando. Passaram a apreciar outras coisas. Era comum ver os dois sentados em uma lanchonete qualquer, tomando café e lendo livros. Tão absortos em suas solidões conjuntas. Frequentemente ficavam sentados no sofá, conversando tudo sem dizer absolutamente nada. E tudo caminhava perfeitamente. Eles brigavam. Eles ficavam sem se falar, às vezes. De vez em quando, o orçamento apertava. Mas eles lutaram juntos. E superaram barreiras, dia após dia. Juntos.

Ao som do cd Lullaby Renditions of Metallica.

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