É que eu estava precisando de sol, bem fraco contra as maçãs do meu rosto e de algum calor que me subisse o corpo inteiro e esquentasse o que eu tinha deixado esfriar, estava precisando de alguém atrás de mim gritando meu nome e me incentivando a ir lá, a correr mais rápido, a passar na frente dos outros e de alguém no final do caminho de braços abertos, sorrindo e dizendo que sempre soube que eu ia conseguir.
Estava precisando de algo mais do que músicas melancólicas dizendo sempre a mesma coisa e tocando sempre o mesmo tom, precisava ouvir outro som, necessitava do timbre de outra voz – de preferência rouca e sonolenta- mesmo que “outra” significasse “a de sempre”, mesmo que me julgassem por querê-la, mesmo que as pessoas não entendessem que aquele ponto final quando olhado de perto era só uma vírgula.
Por tempo de mais eu tinha ficado quieta e fechada, por de trás de um caderno velho de páginas amareladas, com olhos fixos em teorias cansativas, textos repetidos, fórmulas químicas e números que pouco significavam pra mim. Nada daquilo me ajudava, apenas preenchia o tempo em que a mente podia estar vagando pelo espaço e procurando lembranças tolas que eu acreditei que nunca mais ia viver, apenas se acumulava na pilha de conhecimentos adquiridos através dos anos.
Porque eu simplesmente precisava do mesmo cheiro, do mesmo toque, da mesma pessoa, de ouvidos surdos para os ruídos, para os cochichos e os “olha, não vai lá de novo, vai ser ruim, vai acabar”, as pessoas só sabem dar os mesmos conselhos, só sabem repreender do mesmo jeito, mas é que eu precisava viver por mim com quem eu queria para mim, mesmo que todo mundo dissesse que não, eu precisava por mim.

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