domingo, 19 de junho de 2011
Parte I Amores
Faz frio. Ela anda nas ruas, trôpega. Para em frente à casa dele. Senta na calçada. A visão embaçada mostra algo vermelho em seu joelho. Ela escuta a porta abrir. Escuta ele chamar. Tenta correr, sente os braços dele ao redor dela, puxando-a para dentro de casa. E ela, com seu corpo mirrado e o álcool impedindo-a de controlá-lo, se deixa levar. Ele a deita no sofá. Uma ruga de preocupação se forma na testa dele, enquanto olha pra ela. Revoltada, sob o efeito da vodka - bebida a qual ela nunca provara até hoje - despeja sobre ele milhões de palavras cruéis. Ele balança a cabeça, penalizado. Como se não sentisse a acidez das palavras dela cortando-lhe o fígado. Ela vomita no chão. Não é um cena bonita. A garota não sabia beber. Ele a olha, esforçando-se para o asco do cheiro não o induzir a vomitar também. Vê o joelho que sangra, os braços arranhados. Vê a mochila esfarrapada que ela trouxera, vê a palidez em seu rosto. E ele a abraça. Ela grita de pura dor, não física, mas emocional. Até que adormece. Ele a leva pra cama, e ela, se enrosca nele. E ele fica ali, depois de limpar a sujeira do chão e os ferimentos do corpo dela. Questionando-se o que iria fazer pela manhã.
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