Mas os minutos foram passando rapidamente e começou a escurecer, eu estava feito um louco, olhava de um lado para o outro a todo instante. Ela não viria. O que antes era uma dúvida, era agora uma certeza. Foi quando uma criança se aproximou de mim e me entregou um papel, delicadamente dobrado.
" Querido T. a partir de agora lhe dou razão para me chamar de medrosa, pois não tive coragem de comparecer e lhe dizer tudo isso pessoalmente. Por favor, não me culpe. Tenho razões e vou me explicar. Sei que é estranho, que agora que você esteja disposto a recomeçar eu esteja tão fria com você. Mas acontece que estou cansada e não sei se ainda tenho pique para tentar mais uma vez. Estou cansada de tanto chorar e estou cansada de mentiras, de fofocas e de indiretas. É como se todas as minhas forças estivessem se esgotado.
Você não sabe como doeu tomar a decisão de não ir te encontrar, mas acontece que, pela primeira vez na vida eu estou fazendo o que é melhor para mim, o que é certo para meu coração. E sim, o melhor agora é que eu me afaste de você. Você bem sabe que somos dois orgulhosos, briguentos e mimados. E que por mais que tentemos as desavenças serão inevitáveis, isso não seria problema, se um não fosse mais orgulhoso que o outro. Você também fez reclamações em relação ao meu jeito de demonstrar amor e afeto, pois bem, é o meu jeito e não pretendo mudar, pois não sei se valeria a pena por você. Por último, nós temos a questão da confiança. Não sei se depois de todas as mentiras terei sangue de barata para não desconfiar de você. E confiança uma vez quebrada, nunca mais recuperada.
Eu sinto muito, mas não tenho culpa se você só se deu conta de todos os seus erros depois de tanto tempo. Eu estou me acostumando a viver sem você, aos poucos. Eu vivia bem antes e posso continuar vivendo. Não vou dizer que quero ser sua amiga ou algo assim. Seria exigir demais de mim e de você. Eu não quero viver de recaídas e capítulos soltos. Quem sabe, um dia a gente se encontre e dê risada disso tudo. Eu não sei. Só sei que quero que você seja feliz, espero que deseje o mesmo para mim.
Você será sempre o primeiro namorado. Beijos, A."
Com lágrimas nos olhos amassei a carta. Senti raiva, não dela. Mas de mim mesmo. Por ter feito tanto mal a ela, só agora eu me dava conta de todo o mal que eu havia lhe causado, de como ela era especial e de como eu a queria para mim, mas como ela mesmo disse: era tarde demais. Eu havia perdido minha garota.
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