quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Uma tarde de quarta
Seu olhar encontrou o meu por breves segundos e fez que ia me prender ali para sempre - e aquele sorriso meio torto que eu tanto amava formou-se em seus lábios só para mim. Mas então o momento passou e ela também passou, entrando na sala sem pudores, tirando os sapatos, sentando-se no sofá e puxando os pés para o assento. Eu amava aquela sua segurança, aquela certeza que aparentava em cada passo. Tão oposta a mim, tão perfeita para mim.
Acendeu um cigarro, fingindo não ver o meu olhar de reprovação, e tragou por longos instantes. Minha repulsa se desfez no momento em que ela, soltando a fumaça por entre os lábios rosados, fez sinal para que eu me aproximasse. Fiz como ela pediu, sentindo-me uma criancinha pega no meio de uma traquinagem. E, afinal, que outras palavras poderiam me definir? Aquelas semanas de silêncio não poderiam ser descritas como nada além de uma traquinagem, uma bobagem de criança que ainda acredita que fugir vai fazer os problemas desaparecerem. Desejei ter crescido como nunca antes havia desejado.
Ela enlaçou minha cintura com seus braços finos, puxou-me para que caísse sentada ao seu lado e seus olhos brilharam daquele jeito que costumavam brilhar o tempo inteiro. Ri de leve, mas logo o medo congelou minha expressão em um sorriso frio, incerto. Não sabia se podia sorrir. Tentei falar, mas as palavras se perderam no meio do caminho entre meu cérebro e meus lábios. Também não sabia se podia falar. Observei-a me observar. Decidi que ela, por haver batido em minha porta em plena tarde de quarta-feira, deveria falar. E ela falou.
- Não posso mais com isso. Essa sua ausência. Não sou dessas pessoas de palavras... Dessas pessoas tipo você, que conseguem dizer as coisas e pronto, resolvido. Mas estou aqui e estou tentando porque não posso mais com essa saudade que me dá de você, de mim e de nós. Nunca gostei dessa parte de você que foge de mim, se esconde de meus olhares e resiste a minhas carícias, mas é ainda pior quando tudo em você desiste de mim. É ainda pior ver você por inteiro se perdendo sem mim... Não sei mais me perder sem você e sempre foi perdida nas nossas confusões de mãos, gostos e cheiros que me senti mais feliz. O que estou tentando dizer é só que vim sem avisar porque se avisasse não teria coragem de vir... Você sabe bem como sou. Vim assim de supetão porque precisava vir para me desculpar. Desculpa ter esquecido que nem todo mundo é assim que nem eu: imediatista, impaciente, impulsivo. Desculpa ter esquecido que o que você esconde aí tem motivo pra estar escondido. Se você ainda me quiser por aqui, me avisa que eu volto... Volto correndo que essa falta de você me tira o sono, a fome e o riso. Volto e prometo te deixar decidir quando se mostrar... Prometo esperar sem pressa, esperar pra sempre se for preciso, mostrando de mim o tudo que sempre mostrei.
E ela se calou assim de repente, tão de repente quanto havia começado a falar, quanto havia aparecido ali, quanto sempre fazia as coisas. Ela era assim: De repente. Tinha me aparecido de repente, me amado de repente, sempre me beijava de repente e dizia as coisas de repente. E eu amava o modo como cada segundo ao lado dela era uma surpresa. Ela esperava uma resposta, eu sabia, mesmo que fingisse não esperar - mesmo que fitasse a televisão desligada com atenção e tragasse o cigarro com a sua clássica despreocupação.
Ergui a mão; ela me olhou. Puxei o cigarro dos seus lábios e o apaguei no cinzeiro que não havia criado coragem para tirar da mesinha de centro. Quis dizer tanto que terminei não dizendo nada e ela só me observou enquanto eu a observava. Afastei alguns fios de cabelo que caíam sobre seu olho, percorri suas feições com a ponta do indicador, sorri. Ela tomou meu queixo entre seus dedos, inclinou-se sobre todas as longas horas perdidas ao lado do telefone que não tocava e me beijou - daquele jeito que só ela sabia beijar.
Ela tinha gosto de café. Estava tudo em seu lugar.
Carta de saudades
Menina,
Hoje acordei com a garganta e os olhos secos de tanto murmurar seu nome entre lágrimas noite passada. Acordei tremendo de frio e procurando seu abraço no quarto vazio - meu coração também ficou meio vazio quando não o encontrei. Mas tudo bem... Tudo bem, meu amor. A gente já sabia que ia ser assim, não é mesmo? A gente já sabia que a ausência ia machucar e os ponteiros do relógio iam se demorar em cada segundo, querendo eternizar a saudade. Está tudo bem.
Ah, meu bem, hoje o sol demorou a querer se deitar... E eu, que estava me saindo tão bem nessa de me manter ocupada para evitar pensar em você em todos os minutos do meu dia, terminei ali - perdida em meu próprio mundo, sem saber que outra desculpa usar para te manter longe dos meus pensamentos. Quis esperar que a noite me servisse de cobertor antes de deixar meu choro escapar, mas quando menos esperava me peguei soluçando baixinho em plena luz do sol, querendo seu colo e o cheiro da gola da sua camisa. Mas está tudo bem... A gente já sabia que todas as músicas que tocassem no rádio do carro iam trazer lágrimas aos olhos e machucar o coração, certo? Está tudo bem.
Mas, ah, minha menina, meu amor, minha flor... Hoje eu quis você da manhã à noite e em cada esquina pelo meio do caminho. Hoje eu quis o som da sua voz mais que qualquer outra coisa... Seu riso doce, o castanho-dourado dos seus olhos, seu gosto na minha boca e aquela curvinha que seu queixo faz. Então vem cá... Apaga essa distância toda entre a gente, só por hoje, e corre pro meu abraço. Esquece as leis da física, ignora a ordem do universo, vem pra perto de mim. Eu te empresto uma das minhas camisas largas demais pra você, minha pequena, a gente estende um cobertor no meio da rua e se protege do frio nos braços uma da outra, a gente se cobre com sonhos e conta estrelas até a madrugada acabar. Estou te esperando aqui, na porta do quarto... Deixa de ser estrela e vem ser borboleta que eu cansei de te ver brilhar do outro lado do mundo, agora quero é você pousada em meu ombro. Pra sempre.
Com amor,
Sua garota.
"When the evening shadows
And the stars appear
And there's no one there
To dry your tears
I could hold you
For a million years
To make you feel my love..."
(Make you feel my love - Adele)
domingo, 4 de setembro de 2011
Querido você
Querido você,
Escuta, deixei as coisas arrumadas quando saí daí e estendi sua cama, infelizmente a minha última visita deixou meu cheiro no seu travesseiro e coloquei a fronha para lavar, sei o quanto isto é o que você menos quer sentir nesse momento e respeito essa sua decisão. Por menor que seja a possibilidade de você acreditar no que vou falar, eu desejo que o próximo perfume que você sinta seja bem melhor que o meu e que ele pertença a alguém que te mereça bem mais do que eu mereci. Que essa pessoa saiba que você fica estressado quando o seu time perde e que portanto é sempre bom ficar vigiando o placar pra saber como vai estar sua paciência quando ele acabar, que ela entenda que o seu jogo é sagrado, você não vai trocá-lo por ela, mas provavelmente vai sempre dizer alguma coisa no MSN de tempos em tempos. Você não tem paciência pra ciúmes e nem vai tentar ser mais carinhoso do que consegue ser, você não é a pessoa mais tolerante do mundo e nem vai gostar de ficar horas e horas abraçado com alguém, mas vai aceitar se quiser ver essa pessoa feliz. Que ela entenda que quando você estiver fazendo manhã e se magoando por qualquer coisa, é só carência e que se você tiver dado a ela pouca atenção, provavelmente vai querer que ela te ligue antes de dormir para conversarem um pouco. Que fique bem claro a ela que ninguém tem direito de usar o seu travesseiro a não ser que você tenha deixado e que perfumes muito fortes te dão dor de cabeça. Que ela nunca se esqueça que você gosta de prestar atenção nas cenas de ação dos filmes, que é carinhoso com a sua mãe e adora seus cachorros, que ainda assiste desenhos animados e que isso não diminui em nada o quão maduro você é. Que ela consiga ter a barriga da Megan Fox, que ela tenha bons assuntos, seja parecido com você e que ela te ame apesar dos defeitos, que ela reconheça suas mãos e saiba de todas as coisas que você gosta, que ela entenda seu silêncio e seu jeito de falar pouco sobre sua vida, mas que acima de tudo, ela consiga te fazer tão feliz quanto eu nunca consegui fazer. Eu te amo e vai demorar um pouco pra isso acabar, mas um dia eu consigo, te prometo que consigo.
sábado, 3 de setembro de 2011
Você aceita essa menina como seu legítimo amor?
"Você aceita essa menina como seu legítimo amor, prometendo irritá-la sem deixar de ser seu ombro, nos domingos ensolarados e nas segundas-feiras chuvosas, de perto ou de longe, felizes-para-sempre-enquanto-durar?"
Ei, meu anjo... Antes que você responda, tem uma coisa que quero lhe confessar: Voltei a sonhar. Eu sei, eu sei... Isso é errado, certo? Mas não consigo evitar. É só fechar os olhos e pronto! Lá estão eles... Os sonhos. Os planos bobos. Se arrastam por debaixo das minhas pálpebras antes que eu possa detê-los e, quando dou por mim, já estou vendo lanternas japonesas flutuando em direção a um céu estrelado. E vejo dois pares de All Star jogados pelo chão do quarto, meio escondidos pela penumbra, meio enfiados debaixo da cama. E ouço o barulho da chuva colidindo contra a vidraça misturar-se a uma música baixinha - aquele tipo de música boba que toca no menu dos DVD's de comédia romântica. Se prestar muita atenção, quase posso ouvir o barulho de pratos, canecas e panelas e nossas risadas se juntando no ar. Quase posso sentir o cheiro de chocolate quente vindo da cozinha e disputando a minha atenção com o seu cheiro, presente em cada dobra das paredes e dos lençóis. E quase posso ver seus desenhos espalhados pela mesinha de cabeceira, onde eu os deixei na noite anterior, depois de afirmar pela centésima vez que são lindos e evitar uma briga inútil te atacando com cócegas até te fazer rolar pela cama e me beijar. Sorrio. Então abro os olhos e os sonhos estendem suas asas-coloridas-de-borboleta e voam pela janela aberta até se perderem no azul, cinza ou multicor do céu. Eu voltei a sonhar, minha menina... Primeiro você me fez voltar a acreditar. E agora estou até sonhando! Eu sei, eu sei... É terrível, não é? Certo, certo, prometo que vou parar de rir... Sei que não tem nada de engraçado nisso. É só que eu te amo tanto que até meu futuro te quer por perto. Tudo bem, tudo bem, não estou rindo! Ah, minha menina... Sou tão sua.
"Aceito"
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Sobre o futuro
Daqui a cinco meses, vamos estar juntas de novo. Vou te puxar para perto de mim pela cintura e beijar a sua testa, vou entrelaçar meus dedos aos seus e confessar que senti sua falta todos os dias, vou te puxar para o meu colo e prometer que nunca mais vou te deixar - mesmo que nunca tenha, de fato, te deixado, já que meu coração ficou naquele anel que repousa em sua mão esquerda.
Daqui a cinco anos, vamos gritar para quem quiser ouvir que somos uma só alma dividida entre dois corpos. Vou estar parada ao lado do altar, com um cravo cor-de-rosa na lapela, e você vai atravessar o corredor da igreja com a leveza de quem pisa em sonhos, carregando um buquê de flores lilás. Vamos sorrir uma para a outra com lágrimas nos olhos , vamos ficar de mãos dadas a cerimônia inteira, vou te fazer chorar com meus votos e te beijar de um jeito que te faça rir. E vamos nos lembrar desse dia pelo resto das nossas vidas como o dia mais lindo...
Daqui a cinco décadas, seremos aquele tipo de casal que as pessoas olham, sorriem e dizem "Quero um amor assim, sabe?". Vamos ter conhecido uma infinidade de países, mas ainda teremos uma lista interminável para visitar. Vamos comprar sorvete para nossos netos e passear pelo campo nos domingos de sol, vamos sentar ao redor do fogo com canecas de chocolate quente e várias histórias sobre nossa juventude, nossas aventuras e nosso amor quando estiver frio. Vamos celebrar mensalmente o dia em que tudo começou e ainda vou te surpreender com flores e chocolates - e você ainda vai me olhar feio e me lembrar o quanto sou insuportável. Vou ter tantos problemas com a memória que você - que nunca foi boa com datas - vai ter que me lembrar de todos os aniversários, mas nunca vou esquecer quem você é e o quanto eu te amo. E vou ler para você quando sua visão estiver debilitada demais para isso, mas você sempre enxergará o suficiente para me dizer que sou um lindo rapaz - seu lindo rapaz. Vamos rir juntas o tempo inteiro, vou escrever, você vai desenhar e sempre vamos olhar ao mesmo tempo quando um de nossos gêmeos gritar: "Mãe!". E vamos rir mais ainda.
E eu sempre vou ter orgulho de beijar sua bochecha, segurar sua mão e dizer: "Ela é a mulher da minha vida". Vou te amar até o último dia da minha vida - e nem distância, nem tempo, nem ciúme, nem insegurança, nada nunca vai mudar o que eu sinto por você. Você sempre vai ser a minha menina.
Daqui a cinco anos, vamos gritar para quem quiser ouvir que somos uma só alma dividida entre dois corpos. Vou estar parada ao lado do altar, com um cravo cor-de-rosa na lapela, e você vai atravessar o corredor da igreja com a leveza de quem pisa em sonhos, carregando um buquê de flores lilás. Vamos sorrir uma para a outra com lágrimas nos olhos , vamos ficar de mãos dadas a cerimônia inteira, vou te fazer chorar com meus votos e te beijar de um jeito que te faça rir. E vamos nos lembrar desse dia pelo resto das nossas vidas como o dia mais lindo...
Daqui a cinco décadas, seremos aquele tipo de casal que as pessoas olham, sorriem e dizem "Quero um amor assim, sabe?". Vamos ter conhecido uma infinidade de países, mas ainda teremos uma lista interminável para visitar. Vamos comprar sorvete para nossos netos e passear pelo campo nos domingos de sol, vamos sentar ao redor do fogo com canecas de chocolate quente e várias histórias sobre nossa juventude, nossas aventuras e nosso amor quando estiver frio. Vamos celebrar mensalmente o dia em que tudo começou e ainda vou te surpreender com flores e chocolates - e você ainda vai me olhar feio e me lembrar o quanto sou insuportável. Vou ter tantos problemas com a memória que você - que nunca foi boa com datas - vai ter que me lembrar de todos os aniversários, mas nunca vou esquecer quem você é e o quanto eu te amo. E vou ler para você quando sua visão estiver debilitada demais para isso, mas você sempre enxergará o suficiente para me dizer que sou um lindo rapaz - seu lindo rapaz. Vamos rir juntas o tempo inteiro, vou escrever, você vai desenhar e sempre vamos olhar ao mesmo tempo quando um de nossos gêmeos gritar: "Mãe!". E vamos rir mais ainda.
E eu sempre vou ter orgulho de beijar sua bochecha, segurar sua mão e dizer: "Ela é a mulher da minha vida". Vou te amar até o último dia da minha vida - e nem distância, nem tempo, nem ciúme, nem insegurança, nada nunca vai mudar o que eu sinto por você. Você sempre vai ser a minha menina.
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