domingo, 19 de junho de 2011

Parte II Amores


Ele acorda. Não sente o corpo que estivera ali outrora. Preocupa-se imediatamente. Procura pela casa. Nada. Pega o telefone, liga pra ela. Ela não atende. Liga pra mãe dela. É, a mãe dela. Aquela que colocou ela pra fora.Que atirou a filha de dezessete anos na rua. Ciúmes do marido, que olhava sempre para as coxas da enteada. A mulher fala que não sabe, não quer saber. Que mande providenciar um carro pra buscar as coisas da filha que ela alega não ter mais. Ele gasta dinheiro demais em um táxi, lota o carro com roupas, computador, skate, ursos de pelúcia, televisão, cd's e livros. Passa a tarde de sábado arrumando as coisas dela, misturando às coisas dele. Decide não se preocupar, espera ela voltar. Deita. Dorme no sofá. A porta abre, ela entra. Ele acorda. Ela fala que foi arrumar um emprego. Vai trabalhar de segunda à sexta em uma loja de instrumentos musicais. Começa dali a dois dias, na segunda. Trouxe McDonald's pra ele, sacou da poupança um dinheiro. Na mesa, observa ele comer. Pergunta se pode ficar ali, diz que vai pagar tudo, trabalhar de dia, estudar à noite. Que nem ele. Ele hesita ao responder. Diz que ela não merece a casa pequena, que fica abafada no verão. Ela fala pra ele calar a boca. Dedos se entrelaçam, mãos se tocam, se unem. Os lábios se beijam. Braços envolvem corpos, pernas caminham até a cama. Podia ser um final feliz, mas não é. Não é final ainda. A luta só começou.

Ao som de Queen Of Sorrow, do Black Label Society. E de Loverman, tocada por Metallica.

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