terça-feira, 21 de setembro de 2010

A você que não soube me amar

Eu desisto de tentar ser algo importante pra você. Desisto de me iludir achando que um dia você vai entender o verdadeiro valor do que há entre você e eu. Então, embrulho todos os nossos planos supostamente felizes e regados a romantismo dos anos 50 - coloco tudo dentro de uma caixa, enlaço com fita azul e envio a você, para que guarde a última lembrança de tudo que eu jamais quero voltar a lembrar.
Não aguardo qualquer resposta, porque esperar por você é triste - triste como quando eu era garotinha e minha mãe me ensinava a cultivar flores. E eu empregava naquilo toda a minha energia, mas quanto mais carinho eu oferecia, mais murcha a flor ia ficando - até o dia que ela morreu, assim, ingrata. E eu me perguntava o que até hoje não entendo: desde quando cuidar do que se ama é errado?
Mas eu sei que foi isso, foi em querer em excesso que eu pequei e, pronto, eis o meu castigo: ter que conviver sempre com o sacrifício daquilo que eu tinha de verdadeiramente importante entre todas essas coisas supostamente valiosas que carrego comigo. Mas não posso esquecer do seu mérito, porque você, meu bem, ah... Como você é mestre na arte de diminuir tudo aquilo que eu tenho mais precioso.
Você sabe perfeitamente bem que é dono de mim e usa todo esse domínio para modelar cada passo meu.

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